História

A criação dos Corpos ou Associações de Bombeiros em Portugal surge no reinado de D. João I, a 25 de Agosto de 1935. Tinham como objetivo primordial tomas medidas preventivas e de combate aos numerosos incêndios que ocorriam em Lisboa.

A Instituição Bombeiros, em Lamego, é anterior à fundação da Real Associação Humanitária Bombeiros Voluntários de Lamego, que data de 22 de Julho de 1877 e que lhe foi suprimida a palavra Real. Dizemos hoje, mas este facto aconteceu, por volta de 1910 com a queda da monarquia.

Em Lamego existiram três corporações de bombeiros: os Municipais, os da Salvação Publica e os Voluntários. Os Bombeiros Municipais estavam sob a alçada do Senado Lamecense, existindo para o efeito um Pelouro dos Incêndios. Não se sabe ao certo a data da sua fundação, embora existam documentos de 1976, em atas da Camara Municipal, onde se faz referência à Bomba Pública. Partindo do princípio qua a data da Fundação é de 1976, muito se nos apraz dizer que esta corporação pode ter sido a quinta a ser instituída em Portugal depois da do Porto – 1728, Viana do Castelo – 1780 e Coimbra – 1781.

Em relação á corporação de Bombeiros da Salvação Pública na conseguimos encontrar nada de relevante sobre a sua existência, mas este assunto bem como a data da fundação do corpo de Bombeiros Municipais, será motivo justificado para a sua pesquisa mais apurada.

Quando aos Voluntários: “Nasceu esta sympathica e humanitária associação, graças aos dedicados esforços de alguns cavalheiros amantes da sua terra, designadamente de três – um ausente, outro morto e o terceiro presente – sujos nomes: Visconde d` Ariz, Dr. Manoel Togeiro Guimarães e Francisco Teixeira Fafe – nos será relevado lembrar agora n`este lugar como aqueles a quem mais deve esta associação: o primeiro sentir a sua ausência d`esta cidade e nobremente da sua Companhia, a que o ser; o segundo para abençoar a sua memória saudosíssima e verter uma lágrima de gratidão ao invoca-la das suas escuridões do sepulcro; e o último para o cobrir de louvores por haver querido ser o propugnador e continuador da benemérita obra dos dois primeiros.

Assim se pode ler no relatório da Direção e parecer do Concelho Fiscal da Associação no biénio de 1884/1885. Este documento é uma rara brochura que entre muitos outros assuntos se reporta à Fundação da associação.

Recorde-se ainda que esta associação conseguiu sobreviver os primeiros anos da sua vida graças a contribuição dos seus sócios e à imaginação de alguns: “A nossa Associação tem vivido quase somente pelo esforço próprio. Raro tem sido o auxílio extra, particular ou oficial, qua a tem vindo a alentar no seu caminho. Da necessidade de viver de si e por si nasceu a ideia da parte recreativa da Associação. A companhia existe porque as mensalidades dos sócios contribuintes lhe prestam vida e sustentaram”.

A importância desta associação por vezes não se confinou ao seu objeto primordial: o de combater ou simplesmente da prevenção de incêndios. Os bombeiros eram uma corporação socialmente ativa e atenta, senão vejamos.

“No verão de 1885 a população Hespanha era açoutada pela epidemia do cholera, que vitimava diariamente milhares de infelizes. Em Portugal era enorme e bem justificado o receio de sermos, n`um momento, invadidos pela terrível doença, que devastava a casa da nossa vizinha.

Organizavam-se comissões por toda a parte, para promoverem a limpeza das habitações e das cidades, e pra buscarem, na generosidade e filantropia dos abastados, os meios indispensáveis ao socorro dos indigentes, pondo-os, quanto possível ao abrigo de serem, por falta de asseio e miséria, o íman que attrahisse o temido hóspede e vitimasse a todos.

Também uma d`essas comissões, numerosas e respeitável, se organizou em Lamego, e proveitosos foram seus trabalhos pelo que respeita às visitas domiciliárias e sanitárias da cidade. Escasseavam-lhe, todavia procurado obter n`esta cidade sempre generosa e boa.

Foi n`esta conjuntura que da nossa Associação partiu a iniciativa do Bando Precatório, brilhantemente realizado em 39 d`Agosto de 1885. Desnecessário é dizer agora aqui o que foi essa festa de caridade. Está nas atas de nossas sessões; está na memória e no coração de todos. E quando o tempo delir paginas e amortecer corações, ficará ainda nos fastos e nas tradições de uma cidade, cujos habitantes, em menos de três horas, quando à porfia, atiraram para dentro de nossos carros com o coração e olhos a transbordarem de afetos e lágrimas, farta nesse de roupa, fazendas e ouro! Quinhentos e dez mil reis – foram tudo quanto a associação colheu n`esse inovidável dia e entregou, pouco depois, à grande comissão de socorros da Cidade”.

As atas da Associação não sobreviveram, ou pelo menos não se reconhece o seu paredeiro, mas o relato dessa fantástica jornada em prol do próximo chegou aos nossos dias.

Quem esteve presente na fundação desta corporação de bombeiros, foi a ímpar e notável figura dos bombeiros portugueses – Guilherme Gomes Fernandes, que pretendia nessa altura fazer uma reunião magna dos bombeiros portugueses. Essa reunião transformou-se num congresso que veio acontecer de 28 de Junho a 1 de Julho de 1889, no Porto.